segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pequenos pensamentos para guardar em uma caixa de sapatos


Sorriso Banguelo ou A Última Vez Que Te Vi
Não há nada mais bonito do que um riso sem dente. Aquele sem vergonha mesmo, que sai o som e te leva para um estado de graça, de graça.
Nunca me imaginei rindo assim.
Ou talvez...
Ah, deixa para lá!
Pelo buraco da fechadura
Da janela do meu quarto,
Não vejo nada.
Me limitei a pensar que não poderei ver alguém além de você
As pessoas me olham,
mas eu não as vejo.
Não quero gastar minha juventude
Deste modo demodê.


Oração a uma causa perdida
Que Ele permita que eu entenda o passar dos anos
E que eu consiga ser feliz de outras maneiras
Amém

Perguntas provisoriamente sem respostas – Ato I
Será que o mágico sempre sonhou em ser mágico?
Por que a saudade sempre vem aos domingos?
Teria tido um final feliz se eu não tivesse dito a minha verdade?
Do que as estrelas são feitas?
Alguém escreve uma enciclopédia sozinho?
É virtude ter memória de elefante?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Outro Olhar

Inversão de Papéis
Por Thatiane Ferrari
Em uma nova etapa da vida,
idosos buscam auxílio ou independência.

Conhecidos por serem a grande base da estrutura familiar, muitos idosos atingem uma fase onde precisam de cuidados especiais e, é nesta hora de cuidar de quem cuidou deles, que muitas famílias modernas e sem tempo tomam decisões que marcarão o final de toda uma trajetória e uma mudança total em suas vidas.

Mesmo com a criação do Estatuto do Idoso, a população ainda está aprendendo a lidar com o envelhecimento. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa média de vida da sociedade brasileira cresceu 3,3 % de 1998 a 2008, atingindo a marca de 73 anos, o que acaba gerando uma atenção para a qualidade de vida dessas pessoas.

O respeito e a consciência dos direitos da terceira idade devem ser inseridos culturalmente, pois projeções da Organização Mundial de Saúde ( OMS) prevê que em 2025, pela primeira vez na história, teremos mais idosos que crianças no planeta. Aqui no Brasil, eles já representam hoje 8,6% de toda a população do país.

Um dia todos nós, ficaremos idosos. E o que parece ser óbvio e uma relação natural da vida, para muitos, envelhecer é um grande conflito.“Os idosos carregam a expectativa de receberem atenção e cuidados dos filhos e netos no momento em que perderem ou tiverem suas capacidades diminuídas, mas há uma ambigüidade, pois ao mesmo tempo que esperam ser cuidados, também apresentam um sentimento de culpa em momentos que acreditam ser um fardo para os seus familiares; por isso, em geral os idosos tentam ser cada vez mais ativos, evitando o sentimento de dependência da família”, afirma Ricardo Schers, doutorando em Psicologia (USP).

A aposentada Maria José Lomba de 86 anos, sofreu há cinco, uma crise de AVC que resultou em uma patologia chamada Hidrocefalia da Pressão Normal, espécie de demência leve. Mesmo tendo cinco filhos, Maria José só pôde contar com o auxílio de dois que se dividem nas tarefas e tratamentos geriátricos. Seu neto, Bruno Vicente, professor universitário de 27 anos, conta que o dia-a-dia da família teve de passar por muitas adaptações “ Diversos controles de medicamentos, mudança de quarto, rotina de horários, cancelamento de viagens ...”. Ele, que sempre esteve acostumado a ver sua vó ativa, esperta e brincalhona, notou que, com a chegada da velhice, houve uma mudança psicológica brusca.

Muitos idosos acabam nesta fase apresentando sinais de depressão e cabe a família ajudar a mudar este quadro. “É importante a integração e o convívio com outras pessoas e com o mundo; dessa forma podemos resgatar esse idoso para sua rotina de atividades. A atenção e o cuidado são essenciais durante o tratamento da depressão”, afirma Thays Martins Vital, pesquisadora em Ciência da Motricidade da Universidade Estadual Paulista ( UNESP). Mesmo com os desafios de cuidar de um idoso em casa, Bruno e seus familiares não pensam abrigá-la em um asilo “Nada supera o carinho e amor dos parentes”.

A interação dos idosos com pessoas da mesma faixa etária, é visto por muitos profissionais como uma forma saudável “na medida em que se estabelece uma articulação entre os sujeitos do grupo que tem uma mesma faixa etária, há um sentimento de pertencimento deste grupo que possibilita a aprendizagem e, conseqüentemente, a apreensão da realidade. O vínculo é condição básica para o sucesso do grupo, pois é quando um sujeito se torna significativo para o outro”, confirma Ricardo Schers.


Além do Teto

As camas arrumadas, distribuídas pelo amplo quarto, já revelam a organização do lar.

Com o auxílio do terceiro setor, alguns dos asilos existentes hoje possuem uma estrutura organizacional de trabalhadores e voluntários que suprem as necessidades da maior idade, destruindo o estereótipo de maus tratos e falta de alegria. “ Eles passeiam mais do que eu; já foram em vários lugares que eu nunca fui, até no Circo lá de Soleil” , brinca Cidinha, representante da Diretoria da Associação Espírita Beneficiente Drº Bezerra de Menezes – Abrigo da Velhice Desamparada que assiste cerca de 200 idosos em duas unidades na região Leste da cidade de São Paulo.

O asilo que vive somente de doações, atende pessoas maiores de 65 anos, não acamados, que passam por uma triagem que envolve condições físicas, psicológicas e sociais com entrevistas e visitas dos diretores no local aonde vive o idoso. A idéia é verificar a real necessidade e a urgência de cada caso, sendo a carência o fator decisivo “Porque, se em um mês vem um, e o outro vem ontem e surgir uma vaga, a gente vai ver quem não tem pensão, INSS... Se o último não tem, ele precisa mais. Se o outro tem, o último passa na frente”, afirma Cidinha que aponta também para o fato de idosos sem família que acabam sendo indicados para o abrigo por vizinhos “Essa é a preocupação grande para as pessoas que moram sozinhas. Se passar mal, quem vai atender ?” .

O que muitas pessoas não sabem é que mesmo estando internados, os idosos com condições mentais e físicas têm permissão para saírem sozinhos, contanto que avisem o destino . No abrigo Drº Bezerra de Menezes, são servidas cinco refeições diárias e o que não falta são atividades. Além de equipes com médicos, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, eles contam também com aulas de artesanato, recreação, caminhadas em parques próximos, visitas de palhaços, corais e artistas que cantam e tocam nos finais de semanas. “A prática de atividades quando inserida em instituições de longa permanência podem reduzir os custos com o tratamento de diversas doenças. Os idosos passam a executar melhor suas atividades diárias exigindo, assim, menor cuidado de profissionais da área de saúde”, afirma Thays Vital.

A instituição possui também uma casa na praia oferecida como doação por voluntários. Além de excursões para lá que duram de três a sete dias, dependendo da vontade dos idosos, eles também frequentam cinemas, teatros, passeiam em shoppings e até almoçam por lá quando surge alguma doação.

Mesmo sendo uma instituição ligada ao Espiritismo, o abrigo ampara pessoas de qualquer religião, respeitando apenas o lugar comum, não aceitando a manifestações de cultos religiosos dentro do espaço. Os idosos que manifestam vontade de ir a igreja são levados de carro pelos funcionários.

Um dos maiores problemas da casa é espera por atendimento. Pessoas acamadas, com Parkinson e Alzheimer, tentam entrar na fila, porém atendê-los não está nos planos da instituição, já que os idosos assistidos hoje são possíveis acamados amanhã.

As visitas são realizadas todos os dias das 13 às 17 horas, e são abertas para todo o público, maior parte constituída por voluntários. Amigos e parentes raramente vão. A preservação deste vínculo familiar é um dos maiores desafios vividos pelo Lar. A assistente social liga para os filhos que moram longe e sempre avisa “ Olha, ele está sentindo sua falta, está triste. E já na internação mesmo falamos para os familiares, vocês têm que visitar, amparar para eles não se sentirem abandonados”, conta a representante do Abrigo.


Independência com Dignidade

Desde 2007, São Paulo possui a Vila dos Idosos, iniciativa da Prefeitura da cidade que construiu um conjunto habitacional totalmente projetado para a terceira idade. Todos os moradores passaram por um critério de seleção que exige maiores de 60 anos, com renda de 0 a 3 salários mínimos, sejam moradores da cidade nos últimos 4 anos e tenham autonomia e independência. Só para esta unidade foram 5 mil inscritos no processo.

É cobrado um aluguel social que varia de 10 a 15% da renda familiar onde já está agregado as despesas de luz, gás e condomínio.

São 145 moradias com 189 idosos que vieram de diversas partes da cidade. Muitos estavam morando no antigo Edifício São Vito, mais conhecido como Treme-Treme, localizado na região central da cidade e outros vieram de parcerias da Prefeitura com associação de moradores.

O nosso trabalho é realizar um acompanhamento social da renda familiar e a gestão condominial prezando pela convivência, o ambiente interno, saber se eles estão se adaptando. Se tem conflitos temos que interferir, temos que chamar a atenção”, explica Alzira, assistente social da Vila dos Idosos. O programa prevê a independência total dos idosos, porém, com os anos, o envelhecimento acaba resultando em debilidades que são atendidas por um acompanhamento do Programa de Atenção Integrada (PAI), para idosos que estão vulneráveis.

O ponto de encontro dos idosos pela manhã é no espelho d'água, localizado na área comum do edifício em meio a árvores e gramado. O conjunto possui sala de conveniência com livros, revistas e computador, sala de cinema, além de um salão de festas “Realizamos eventos através de parcerias, organizamos as comemorações de carnavais, festas juninas, noites italianas. Sempre tentamos bucar atividades para preencher o tempo vago deles”, conta Jordana, pedagoga que cuida do atendimento aos idosos da Vila e mantém um mural com imagens dos últimos eventos, sendo um dos mais marcantes a visita da atriz Nicette Bruno.

Os idosos que quiserem podem ter bichinhos de estimação desde que eles sejam de pequeno porte. Mesmo com tantos vizinhos, autonomia e independência, muitos ainda apresentam sintomas de depressão, que, sem acompanhamento específico, esperam por alunos voluntários de faculdades de psicologia. Para sanar isso, sempre são realizadas atividades e oficinas. Jordana conta sobre as parcerias “ Nós temos uma horta comunitária e os moradores têm acesso a tudo que é produzido. Temos oficinas de trico, bijuteria ... Cada mês fazemos um artesanato e temos jogos para os moradores que não gostam de oficinas, como dama, baralho, tudo para integrar o grupo”.

A iniciativa da Prefeitura em construir este complexo habitacional além de solucionar parte do problema da população, gerou prêmios. A Vila dos Idosos ganhou o 6º Prêmio CAIXA Melhores Práticas em Gestão Local que, com a premiação de 25 mil reais, também recebeu a indicação para outro prêmio, Best Practices and Local Leadership Programme”, instituído pelas Nações Unidas, de Dubai, Emirados Árabes.

Existem em processo dois projetos de edifícios que serão revitalizados para a implantação de novos conjuntos habitacionais, possivelmente na região do centro da cidade. Um deles será destinado à classe artística.

terça-feira, 8 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Crônica


Quando o coração silência

Cabelos brancos feito nuvens, bochechas rosa e mãos enrugadinhas. Dona Olga sempre foi ativa, italiana, falava alto e era forte como um touro. Mas a idade chegou e, com ela, as complicações físicas. Seu Genaro faleceu há 2 anos e ela tentava levar a vida como dava, porém depois que caiu no box do banheiro e quebrou o osso da bacia, essa tal vida já não era mais a mesma. Teve que deixar seu cantinho e ir morar na casa do único filho, dividindo o quarto com os dois netos já adultos. Naquela manhã, Dona Olga novamente acordou urinada, e por mais que tentasse esconder, sabia que a nora ficaria nervosa.


Depender de alguém para ir ao banheiro, tomar banho e comer... A idéia de ter voltado a ser uma criança a envergonhava.

A nora, quando viu no lençol a rodela amarela, ficou furiosa. Gritou que era a segunda vez na semana que era obrigada a lavar a roupa de cama da Dona Olga e perguntou o porquê que ela estava fazendo isso, como se fosse de propósito.

Decidiu que teria uma conversa séria com o marido e que uma decisão teria de ser tomada, afinal a mãe era dele e ela como nora não tinha que ter nenhuma responsabilidade sobre ela.

Dona Olga passou o dia quietinha na cadeira de rodas no quintal com o radinho no colo, esperando a chegada do filho

Ao chegar, Luís Gustavo ouviu as lamúrias da esposa e depois de discutir o destino da pobre senhora, decidiram que iriam colocar ela em um asilo e que o restante da aposentadoria serviria para fazer a tão esperada reforma na casa.

Sem pestanejar, a idosa foi para o asilo e lá permaneceu sempre olhando para a porta, esperando os sábados para receber a visita de seu filho. Esse dia nunca chegou.

E, então, por mistério ou patologia, ninguém sabe, Dona Olga nunca mais falou e o silêncio se fez presente no seu olhar cheio de rugas e traços de vida ...

sábado, 8 de maio de 2010

Música, silêncio e pausa


Piracicaba, 27 de Outubro de 1988.

Meu querido amor

O Ipê já começou a florescer e você não voltou. Disse que iria voltar.
Não consigo esquecer seu sorriso e ainda me lembro de tudo aquilo que me disse no piquenique lá na beira do lago, da última vez que nos vimos. O livro do Mario Quintana aquele que você me deu, está na cabeceira da minha cama. Lemos juntos até a página 82. Estou te esperando para terminar.
Até grifei a última frase que a sua voz leu :" Teus silêncios são pausas musicais"...
Porque não me responde ? Sabes o quanto é difícil conseguir uns trocados pro selo.
Toda semana vou na venda da Dona Dora ver as rendas e já avisei a ela que assim que você voltar dos estudos vamos nos casar. Ela disse para não ter pressa de modo que sou muito nova, mas eu nem ouvi. Tem cada pérola linda. De mentira, mas são lindas.
Te mando uma foto pra você saber como estou. Cortei meu cabelo na altura dos ombros, mas continuam enroladinhos do jeito que você gosta.
E é tão difícil não te ter por perto.
Ás vezes penso que não vou aguentar e choro abraçando meu travesseiro, como se fosse você.
Me escreva, nem que seja para falar que já me esqueceu.

Sinto saudades

Da sua Dete


Jornal da Tarde

Jovem é encontrado morto na Lapa

O corpo de um jovem não identificado foi encontrado por volta das 9 hs da manhã desta quarta-feira (15) em um terreno baldio no Alto da Lapa, zona Oeste de São Paulo. De acordo com os primeiros levantamentos, a região é alvo de contantes acerto de contas entre traficantes e usuários de droga o que assusta os moradores. A polícia investiga o crime e caso não seja identificado, o cadáver será sepultado como indigente.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Os disfarces de Andy Warhol


Trabalhando na Pinacoteca eu e meus amigos nos deparamos todos os dias com uma pergunta que seria engraçada se não fosse trágica:

Aonde é a exposição do ...

Andy Alves ?
Andy Wally ?
Andy Orton ?
Andy Wawa ?
Andy Welly ?
Duende Alves ?
Andyal ?
Endiuol ?
Andy Uó ?

Depois de fazerem arte ainda querem ver Pop Art ...

domingo, 25 de abril de 2010

Além do umbigo

Será que ele teve enxoval
e sua chegada foi aguardada com muito carinho ?
Qual a primeira palavra que ele falou ?
O bolo de aniversário de 2 anos dele foi de chocolate ?
Frequentou a escola?
Perdeu o pai ? A mãe ? Um amigo ?
Quando ele tomou sua primeira cerveja ?
Seu coração já bateu forte por alguém ?
Ele assiste TV ?
Lê livros, revistas, jornais ?
Alguém já o esperou no portão ?
Conversaria com ele na rua ?
Chamaria-o para comer na sua casa ?
Daria um beijo no rosto dele ?
Você se acha humano ?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Eu nunca vou te abandonar


Ele acordou naquela manhã e como todos os dias nem bom dia deu. Buscou seu jornal na porta usando chinelo com meia, camisa pra fora da calça com a xícara de café na mão. A manchete avisava o que ele já sabia: hoje tem jogo ! Quarta-feira é dia sagrado, samba, cerveja e Coringão no bar com os amigos. Deu um beijo na testa dela, pegou a chave, jogou o jornal no chão e saiu. Ela sabia que não precisaria o esperar para jantar.

A decoração da casa mostrava a preferência do lar, ou melhor, a preferência dele. Sofá preto, almofada branca, cortina branca, mesa preta. Ela vivia uma vida que não era sua e o fanatismo do marido pelo time a aprisionava. O primeiro beijo que o casal trocou foi cortado por um grito de gol dos amigos dele. Ao deixar o altar arrancou a camisa e lá estava ela, a bendita da camiseta do Corinthians. O filho não teve escolha, já nasceu com o uniforme completo do timão. No almoço de domingo o assunto sempre era o mesmo e quando voltava pra casa depois de um dia de trabalho das dez palavras que falava oito era Corinthians. O gavião era fiel, mas ele ...

Cansada de separar as peças pretas das brancas na hora de lavar a roupa, naquela manhã ela sabia que não seria um dia qualquer. Planejou durante anos o que poderia fazer para dar um basta naquela situação. O momento era agora. Combinou com a vizinha que deixaria Marcelinho com ela depois da escola e foi se aprontar. A vingança por todo esse tempo de sufoco teria de ser perfeita. Abriu o armário, arrancou a última gaveta e lá no fundo estava o embrulho em um papel de seda cheirando a mofo. Tomou um banho, se perfumou e vestiu aquele manto sagrado que ela honrava mais do que qualquer coisa. Em direção ao bar, seu coração batia forte quase saindo pela boca. Avistou o marido lá no meio dos amigos, com um copo de chope na mão e sorriso no rosto. Fez questão de entrar e se plantar na frente dele. Sabia que seria arriscado, porque para homem você pode xingar a mãe, bater na vó, mas trair o próprio time é algo imperdoável.

- Cleusa, que pouca vergonha é essa ? Tira isso agora ! – gritou ele furioso

Ela então beijou o distintivo do Palmeiras como se beijasse a própria alma e retrucou:

- Tudo isso poderia ter sido evitado se há 10 anos atrás você tivesse me perguntado: “ Que time você torce ?”

segunda-feira, 29 de março de 2010

Jornalismo Esportivo

Por Thatiane Ferrari

Preferido entre a maioria dos estudantes da área, o jornalismo esportivo para muitos resumi-se em futebol. A falta de interesse das mídias e o despreparo dos jornalistas faz com que Paulistão, Brasileirão, Libertadores, Série A e B, Ronaldos e Ronaldinhos sejam alguns dos assuntos que permeiam qualquer site de esportes, sobrando um espaço pequeno para outras informações.

Para quem não se identifica com esta modalidade, muitas vezes passar longe do caderno de esportes e desligar a televisão logo que aparece na tela um apresentador com uma linguagem mais informal é um ritual massacrante.

No ramo televisivo então, temos de acreditar que além do futebol só existe de domingo o vôlei de praia nas areias de Copacabana que de tantos logotipos de patrocinadores fica difícil até identificar os próprios jogadores. Com a exceção dos últimos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver no Canadá que depois de brigas e farpas entre a Rede Globo e a Rede Record, a última conseguiu televisionar o que acabou sendo um tiro certeiro com ótimos índices de audiência, despertando a curiosidade da população em descobrir o que é Bobosleigh, Skeleton e Luge que apesar de nomes não muito familiares, são modalidades esportivas. O problema não é cultural, já que dizer que o povo brasileiro só gosta de futebol é mais um estereótipo criado pela mídia.

Uma coisa é certa, a ausência de algumas modalidades de esporte nos meios de comunicação faz com que muitos patrocinadores não vejam retorno em investimentos financeiros, tornando-se um ciclo de frustração para o esporte brasileiro. Um atleta sem incentivo não poderá dedicar 100% do seu tempo para os treinos, o que o coloca em um nível baixo de competitividade com qualquer outro esportista. O jornalismo esportivo além de informar deveria ter o compromisso de democratizar esta informação, diversificando sua programação e abrindo mercado para outras modalidades, afinal de contas brasileiro não é só samba, cerveja e futebol.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Hasta Siempre

El circo- Arpillera de Violeta Parra

A primeira vez que ouvi falar de Violeta Parra foi quando tirei esta foto em uma exposição de tapetes no Palácio de La Moneda, a grande sede da República do Chile em Santiago. Não tinha noção da força e da inteligência dessa mulher que foi uma grande referência Chilena e até hoje creio que tenha sido a maior propagadora da música e do folclore daquele país.
Violeta cresceu em um berço artístico e aos 9 anos já era musicista.
De bar em bar desenvolveu com a sua família uma carreira consolidada e constituiiu pesquisas valiosas sobre seu país e abriu um universo cultural ainda desconhecido por aquele povo.Violeta casou, descasou, teve muitos filhos e viajou o mundo, estudando, se apresentando, pesquisando ...
Vindo de uma mulher dessas, creio que ninguém esperava uma atitude semelhante a de Chiquinha Gonzaga, mas Violeta era pulsante e se apaixonou por um jovem. A paixão foi arrebatadora e resultou em maravilhosas canções como " Gracias a la vida" e " Volver a los 17" .

Jogos de amor, sedução, ciúmes e uma relação tempestuosa com o músico frânces Gilbert Favre, além de problemas financeiros levaram Violeta ao suicídio com um tiro na cabeça e o violão nas mãos.

Violeta é adjetivo, visceral e o legado deixado a coloca no patamar de uma das maiores artistas sulamericanas. Esquecida e não conhecida de muitos brasileiros, infelizmente as tragédias chamam mais a atenção do que o acervo cultural de qualquer país. Chile vai além de terremotos, Michele e hot dog com abacate...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma certa Mutante

Qualquer semelhança comigo não é mera conhecidência ...



Quando eu me sinto um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
Depois eu passo prá outra.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Doce Vagar


Me abrace, mas não me segure.

Deixe-me vagar pelo calor do teu peito quente.

Faça com que eu me sinta ser o que eu não sou.

Me esqueça amanhã, mesmo ainda lembrando o meu nome.

Pense em mim como uma entidade divina

e tenha saudade do que você não viveu ao meu lado.

Hoje eu acordei meio Eugène Ionesco


Virgínia era o nome da minha primeira melhor amiga.

Gabriel é o nome do autor do último livro que tentei ler.

Hoje o Cervantes me ligou.

E eu gostaria que meu nome fosse Mafalda.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Está dada a largada ...


Não gosto de competir com as pessoas.

Ter que provar que sou melhor ou admitir que sou pior que fulano nunca fez meus olhos brilharem.

Tudo que é muito concorrido perde a graça para mim. Desde homens à roupas em liquidação. O senso comum definitivamente não me atrai.

Porém algo que eu gosto muito é a tal da Competição Interna. Tenho na minha mente uma espécie de ranking para tudo aliás, uma auto competição que tem dado certo comigo nos últimos tempos é a minha Lista de Eventos Culturais.

Quem me conhece sabe que sou movida a arte.

E a cada ano, inicio uma lista com os seguintes subtítulos: Teatro, Cinema, Dança, Literatura, Shows e Exposições.
Conforme os meses vão se passando, eu tenho que conseguir superar o número de eventos/ atrações do ano passado, simples.

E tem dado certo. Um exemplo é o ranking de Literatura que em 2009 praticamente dobrou em relação ao ano anterior. Em compensação hoje mesmo passei vergonha na locadora quando o atendente me disse que a última vez que aluguei um filme foi praticamente a 1 ano atrás. Pasmem ... Fui muito ao cinema então ainda tenho a desculpa da qualidade sem quantidade.

E vamos para os meus números até o momento.
( Lembrando que só neste ano fiquei 20 dias em outro estado, trabalhando )


Ranking Pessoal 2010

Teatro
  • "Fuzarca" - Com Luiz Salém (Hotel do Frade)

  • "Risotto" - Com Rodolfo Bottini (Hotel do Frade)

  • "Ira" - Com Projeto Bazar (Teatro de Arena)

  • "A Falecida ou Vapt-Vupt" - Do Antunes Filho (Sesc Consolação)

Cinema

  • "Curtas de Ladislaw Starewicz" - Trilhas Metragens com a Banda Axial (Sesc Paulista)

  • "Madame Bovary" - Com Isabelle Huppert (DVD)

  • "A Dupla Vida de Véronique" - Direção do Krzysztof Kieslowski (DVD)

Literatura

  • O Livro do Riso e do Esquecimento - Milan Kundera

  • O Vento no Tamarindeiro - Ruy Espinheira Filho

Shows
  • A voz e a vez do instrumento: "Rogério Botter Maio & Cerne 5teto" e "Ana Fridman" (Sesc Pompéia)

  • "Dona Inah" (Galeria Olido)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

À Moda da Casa


Nas minhas férias/trabalho em Angra dos Reis, tive a oportunidade de assistir ao espetáculo do ator das antigas e hoje em dia apresentador de programa de culinária, Rodolfo Bottini. A peça com o título “ Risoto” é uma espécie de bate-papo onde ele expõe um pouco da sua vida gastronômica enquanto, na ocasião, o Chefe Lobão do Hotel do Frade (meu querido) preparava aos toques do ator o tão esperado arroz com algumas especiarias misturadas. Algo simples numa versão requintada.

E aonde quero chegar com isso ?

Bom, nunca fui muito fã de cozinha, aliás sempre repeti o mesmo texto “ Gente, não nasci para cozinhar”. Lembro que até existiu uma tentativa de me tornarem uma grande Mestre Cuca e na infância cheguei a ganhar uma cozinha do meu tamanho da época. E em meio a receitas e memórias e depois de um mês longe de casa, resolvi presentear a minha família com alguns quitutes, que na realidade eu nunca soube fazer. Pois bem, início de ano, novos desafios, decidi ir para a cozinha e me entregar a alquimia dos alimentos, numa espécie de Auto Ajuda Culinária. Se eu quero, eu consigo !

Lembrei logo da minha infelizmente falecida Tia Doquinha que assim como eu fugia da cozinha,
mas de vez em quando dava o ar da graça por lá só para preparar algumas delícias e largar a louça. Uma terapia.

E em busca desta terapia parti para abrir os armários e por falta de um escolhi três pratos que para alguns parece piada, mas para mim realizá-los foi um marco na minha existência: Brigadeiro com Coco, Torta de Queijo e Presunto e Mouse de Limão.

Hummmmmm !

Até o momento o Brigadeiro passou pela aprovação, mesmo com os meus pais simulando desmaios enquanto comiam. A Torta queimou um pouquinho no fundo e o Mouse está caprichado na aparência com direito até a raspinhas de limão.

Fica a Dica: Entreguem-se ao prazer da culinária e Bom Apetite !

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Um certo verão ...

Angra dos Reis, 20 de Janeiro de 2.010.


Hoje o céu me presentiou com um lindo arco-íris, claro e púrpuro. Uma luminosidade intensa que marca o encerramento de mais uma etapa da minha vida. Efêmero ...

Meu instante presente me constitui e guia o futuro planejado que escolhi. Decepções, mágoas e "picuinhas" serão deixadas de lado e fica decretado somente prosperidade e alegria.


A lei agora é transcender e buscar o o palpável. O objetivo é o real. A mente é humana e o coração não é de pedra, ao contrário é pulsante, vivo na sinfonia da melodia da existência.

O que passou está passando e certamente passará. Mas, como é difícil abandonar barcos ...

Pessoas, sorrisos, crianças, abraços.

Mudar itinerários não é para qualquer um. Obter uma nova postura exige competência.

Não nasci sabendo mas tenho sede de aprender. Minha estrela brilha, quer queira ou não. Sei agradecer e me silenciar, porém a "mão na massa" vai além da minha escolha de filosofia de vida.

Thatiane Ferrari