quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Acessibilidade - Enfrentando Desafios

Por Thatiane Ferrari


Andando pelas ruas na correria do dia a dia, não percebemos a quantidade de empecilhos e armadilhas existentes em uma simples caminhada. Um buraco no meio da via, chama mais atenção que o da calçada e tudo que não nos afeta diretamente, não tem importância. A falta de fiscalização faz com que as pessoas se esqueçam que há 21 anos a Constituição Brasileira assegura através das Leis Federais nº 10.048/00 e 10.098/00 o direito à acessibilidade. A inclusão que a legislação prevê nos meios físicos é o acesso a informação, à comunicação e aos meios de transporte, ou seja, a grande eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos. Porém, como garantir o direito para a geração de jovens com deficiência, em um país que ainda não proporciona o total acesso de ir e vir ?

O último Censo do IBGE revela que em São Paulo 0,72 % da população tem alguma deficiência física, como paraplégicos ( que não movimentam as pernas ), tetraplégicos ( que não mexem os quatro membros), hemiplégicos ( movimenta apenas um lado do corpo ), amputados, entre outros . É uma média de 416 mil pessoas que, apesar de ter a Constituição a seu favor, na prática enfrenta desafios. O que vemos na cidade é um crescimento desgovernado, um despreparo na arquitetura que não atende às necessidades da população com deficiência.

Um grande exemplo disso é o transporte público. São Paulo, de acordo com a SPTrans, tem em funcionamento 2.897 ônibus adaptados, 18 % da frota. Um número muito pequeno comparado com a quantidade de pessoas com deficiência que vive em nossa cidade.
O Metrô por sua vez, atende hoje uma média de 70 deficientes físicos por dia, tendo à disposição profissionais treinados para auxiliá-los até a plataforma. Segundo a assessoria de imprensa, esse número tende a crescer, pois até dezembro de 2010 todas as 55 estações do Metrô estarão totalmente acessíveis. A meta da atual gestão é dar autonomia a todas as pessoas que usam o sistema. Enquanto isso o que resta é esperar e andar até encontrar alguma estação acessível para fazer o embarque e o desembarque.
Para quem preza pelo conforto e praticidade, existe na cidade frotas de táxis acessíveis. Estes táxis são veículos totalmente adaptados para receber pessoas com deficiência. Os taxistas passam por um treinamento de 15 horas, onde são abordados temas como atendimento especial, manuseio de equipamentos e público alvo.
Segundo Nelson Lourenço, assessor de imprensa da Adetax ( Associação das Empresas de e Frota do Município de São Paulo),em agosto foram atendidas cerca de 1.100 chamadas, distribuídas em apenas 16 táxis acessíveis. E não adianta ter compromissos em cima da hora, pois em função da pequena frota é necessário agendar o serviço ou esperar o tempo médio de 45 minutos para o atendimento da chamada. O serviço tem as mesmas tarifas de um táxi comum: R$ 3,50 a bandeirada inicial e mais R$ 2,10 por km rodado e o cadeirante pode ir acompanhado por até 2 pessoas no veículo.

Táxis Acessíveis – Espera de 45 minuto


Outra forma de locomoção que cresce cada vez mais são os veículos adaptados. São cadastradas no Detran-SP mais de 90 auto-escolas exclusivas no atendimento à pessoas com deficiência física. “ Podemos dizer que a pessoa com deficiência dirige de forma mais segura que o condutor não deficiente por diversos fatores”, afirma Monica Cavenaghi, diretora da Cavenaghi, empresa especializada em adaptação veicular. “ Dizemos isso com base em estudos feitos por seguradoras, que dão descontos a esses clientes pelo fato deles apresentarem menos envolvimento em acidentes”, completou. Só no último mês de agosto foram adaptados 300 veículos, sendo que essa média abrange adaptações na própria direção do carro como embreagem computadorizada, freio manual e piloto automático e adaptações de transporte que são as plataformas equipadas com cintos de segurança especiais, aliando praticidade, comodidade e tecnologia. Os preços para as adaptações variam de R$ 150,00 até R$ 50.000,00, dependendo da solução.

Universitário do curso de jornalismo, Lucas Emanuel Ito, de 19 anos, frequenta a faculdade utilizando o Atende, serviço gratuito para transporte de porta em porta da Prefeitura da Cidade de São Paulo destinado para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, com alto grau de dificuldade e dependência. Apesar da descrição do serviço, Lucas não é dependente e desenvolveu uma grande autonomia. Atleta paraolímpico, utiliza táxi adaptado para frequentar os treinos de natação e sair para shopping, cinemas e teatros, programas ideais para sua idade. Sobre o tempo de espera do meio de transporte adaptado na cidade, ele comenta: “ agora com os ônibus “piso baixo” está um pouco mais rápido, porém nas regiões periféricas de São Paulo ainda demora”.

Lucas Emanuel Ito - “ O deficiente quer estar no convívio social” .


A passos bem lentos, a prefeitura e o governo estão tentando realizar melhorias na vida das pessoas com deficiência, mas o que ainda vemos na cidade é a falta de fiscalização e o desrespeito da população em relação aos direitos destas pessoas. Thânia Christina Pontes é irmã de Andressa Pontes de 23 anos que tem múltipla deficiência. Para evitar sair, Andressa utiliza como fonte de tratamento a equoterapia em casa. Aos finais de semana, Thânia leva Andressa para passear em shoppings da cidade e mesmo sendo direito, as vagas de estacionamento para deficientes sempre estão ocupadas por pessoas sem consciência inclusiva.

Em uma entrevista com José Fernandes Júnior motorista de micro-ônibus adaptado na região da Zona Leste, percebemos que esse desrespeito faz com que as pessoas com deficiência evitem sair de casa. Segundo José, seu veículo transporta apenas 1 à 2 cadeirantes por semana. “Já teve uma vez que no horário de pico convidei algumas pessoas a se retirarem e esperarem o próximo ônibus, pois tinha no ponto uma moça com deficiência que trabalha aqui perto. Alguns olham com cara feia, mas essa é minha obrigação, “ afirma José, que tem seu micro-ônibus totalmente adaptado com espaço e plataforma para cadeiras de roda.

“ Enquanto a acessibilidade for uma obrigação, avançará devagar. A mentalidade das pessoas precisa mudar. Não precisaria de um elevador exclusivo para deficientes, por exemplo, se as pessoas dessem a preferência no elevador "normal" quando chegasse um deficiente. Esse discurso "é para o seu maior conforto", para mim é infundado, é uma forma de exclusão. O deficiente quer estar no convívio social,” desabafa Lucas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pulando Degraus

Por Thatiane Ferrari
Com a falha do Primeiro Setor que não viabiliza maneiras de inclusão para as pessoas com deficiências, as Organizanções Não Governamentais vem a cada dia mais ganhando espaço com mobilizações que através de debates encontram soluções e melhorias em prol da causa, tornando-se porta-voz de toda uma população que sofre com a falta de acessibilidade e a exclusão social.

Com esse intuito, o 1º Encontro pela Inclusão do GAPD ( Grupo de Apoio a Pessoa com deficiência) está marcado para acontecer nos dias 13 e 14 de novembro no Gran Hotel Royal em Sorocaba – SP.O objetivo do evento é através de palestras abordar assuntos pertinentes ao paradigma da inclusão. Entre os palestrantes estará Marcos Vinícius Brizola, especialista em atividade física adaptada que levará ao debate o esporte como uma forma de reabilitação, e o Profº Romeu Sassaki, especialista em serviço social e em aconselhamento de reabilitação que traz o tema da inclusão social das pessoas com deficiência.

A frente da organização do evento está Leandro Portella, jovem de 28 anos que é vice presidente da Sorri Sorocaba, instituição que desenvolve projetos para a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade.

Há 10 anos ele viu sua vida mudar completamente enquanto “furava” uma onda em Ubatuba. Hoje, tetraplégico completo (movimenta apenas o rosto), Leandro vive esse grande desafio, mas não desanima. Apresentador do programa Acesso Livre na TW Mídia ( canal na web ), ao lado de Sandro Amaro comanda entrevistas e bate papos com pessoas especializadas em deficiências. “ O Acesso Livre é um programa onde os problemas e dificuldades das pessoas com deficiências e mobilidades reduzidas são debatidos com seriedade,bom humor e no foco constante da busca de soluções para melhorar a qualidade de vida de todos. Além dos problemas inerentes, também abordamos os pontos positivos da acessibilidade e da inclusão,” detalha.

Ele busca a sua independência financeira, além de apresentador e vice presidente da Sorri, é consultor de cosméticos. Já trabalhou também como atendente online de uma empresa ligada ao Second Life (ambiente de relacionamento na web que cria uma “segunda” vida virtual). Com o programa MOTRIX, através do comando de voz, ele utiliza o computador por um código específico, o alfabeto fonético de aviação . Ele explica que soletra as letras para escrever “ O a é alfa, o b é bravo, o c é charlie ...
O software é um projeto desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que disponibiliza o download gratuito pela internet. O mesmo Núcleo, desenvolve outro software de inclusão o DOSVOX , destinado para deficientes visuais.
Leandro Portella
“ Conscientização e Fiscalização, é o que falta para melhorar a acessibilidade em nosso país.”
Como qualquer jovem, Leandro sai muito com os amigos e dá preferência para bares que tenham rampas de acesso e espaço para cadeira de rodas.
Outro lugar que ele costuma frequentar é o cinema, porém a falta de adaptação das salas o incomoda. Segundo ele, os lugares reservados para pessoas com deficiência é na frente da tela, o que torna quase impossível ler a legenda.

A falta de acessibilidade, a superproteção dos pais e o próprio estado psicológico inibe o jovem com deficiência a ter uma vida normal. Leandro é um exemplo de garra e perseverança que deve ser seguido, mesmo com tantas adversidades “ Mesmo com a falta de recurso, acesso e da consciência do próximo, estamos conquistando nosso espaço. Tem tudo para melhorar, já estão acontecendo boas mudanças”. Ele luta pela sua qualidade de vida, não só perante a sociedade, mas a ele mesmo.

Olho Vivo e Mão na Roda

por Thatiane Ferrari

Vendedores ambulantes, bancas de jornais, calçadas esburacadas e rampas inclinadas. Estes são apenas alguns dos desafios enfrentados diariamente por jovens com deficiência física, que lutam para levar uma vida normal.
Segundo a arquiteta de acessibilidade Thaís Frota, poucos jornalistas se interessam pelo tema, o que acaba não popularizando a conscientização da inclusão. Com o intuito de fiscalizar e acima de tudo ativar o senso crítico, nossa equipe de reportagem saiu às ruas para apurar como a cidade de São Paulo lida com o assunto acessibilidade.


Banca de Jornal, ocupando a calçada
Rua Pedreira de Freitas, em frente a uma universidade
no Jardim Anália Franco.

Calçada Adaptada
Avenida Paulista.

Mercado Adaptado com Estacionamento Especial e Rampa,
porém via pública não adaptada.
Rua Monte Serrat, no Jardim Anália Franco.


Lixo espalhado na calçada esburacada
Rua Tuiuti, próxima a estação
Tatuapé do Metrô.

Telefone Público Adaptado
Terminal Princesa Isabel.

Rampas Acessíveis
Entrada da biblioteca
Parque Municipal do Piqueri, no bairro do Tatuapé .


Terminologia utilizada na reportagem
Durante a convenção Internacional para a Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidades das Pessoas com Deficiência, foi aprovado pela assembléia Geral da ONU em 2006 e ratificado no Brasil em 2008 o termo Pessoa com Deficiência para designar pessoas que tenham qualquer deficiência .

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A França é aqui

Por Thatiane Ferrari


Domingo pela manhã. Avenida Paulista sem trânsito, passos tranquilos por entre as largas calçadas, fila no cinema. Fila no cinema ?



“ Ciné-Club”, o projeto idealizado pela Aliança Francesa juntamente com a livraria FNAC e o cinema Reserva Cultural nasceu com o intuito de comemorar o ano da França no Brasil. A parceria deu certo, o público aprovou e hoje faz parte da programação permanente da cidade de São Paulo.


A mostra que tem como objetivo divulgar a cultura francesa no país, apresenta a cada último domingo do mês um filme francês ou francófono.
Finalizando o ciclo de três filmes com o tema “Literatura e Cinema:Idas e Vindas”,
para o mês de novembro a programação conta com “ Persépolis”, um longa de animação dirigido pela irãniana Marjane Satrapi e pelo francês Vicent Paronnaud, ganhador de vários prêmios e representante francês de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar de 2008.
O ingresso dá direito a um delicioso café da manhã preparado pela panificadora Pain de France, especializada na culinária francesa. Os cinéfilos de plantão podem degustar de leite e café à vontade, acompanhados pela típica iguaria francesa, os delíciosos crossaints.


O preço popular agrada também o público, que desembolsa apenas R$ 5,00 pelo ingresso do filme com café da manhã. “ Com isso ganham todos, o público que se divertiu e pode ver um filme que talvez nem tenha tido grande distribuição nacional , a cultura francesa que ganha mais fãs e São Paulo, que ganha com a variedade de opções culturais e além de tudo é sempre um convite para quem não fala francês ou conhece pouco da cultura francesa se interessar mais por ela “, conta a filósofa Monica Dinah. Segundo ela o horário de domingo de manhã facilita sua ida ao cinema “ domingo é dia de acordar mais tarde então o público não precisa se preocupar com café da manhã” .


Serviço:

Ciné-Club Aliança Francesa.
Persépolis (EUA-França): 2007 – Dir: Marjane Satrapi / Vicent Paronnaud
Reserva Cultural: Av. Paulista, 900 – São Paulo/SP
Bilheteria aberta a partir das 10 hs.
Café da manhã às 10 hs e início da sessão às 11 hs.
Ingressos: R$ 5,00 – preço único
Inclui ingresso filme e café da manhã.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Hora de mudar


" Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas...

Uma lembrança boa de você,

uma vontade de cuidar melhor de mim,

de ser melhor para mim e para os outros.

De não morrer,

de não sufocar,

de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará,

porque sempre traz,

e então não repetir nenhum comportamento.

Ser novo."


Caio Fernando Abreu


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Com olhos modernistas

Oswald por Tarsila

Secretário dos Amantes
Oswald de Andrade

I
Acabo de jantar um excelente jantar
116 francos
Quarto 120 francos com água encanada
Chauffage central
Vês que estou bem de finanças
Beijos e coisas de amor

II
Bestão querido
Estou sofrendo
Sabia que ia sofrer
Que tristeza este apartamento de hotel

III
Granada é triste sem ti
Apesar do sol de ouro
E das rosas vermelhas

IV
Mi pensamiento hacia Medina del Campo
Ahora Sevilla envuelta en oro pulverizado
Como una dádivas mis ojos enamorados
Sin embargo que tarde la mia

V
Que alegria teu rádio
Fiquei tão contente que fui à missa
Na igreja toda a gente me olhava
Ando desperdiçando beleza
Longe de ti

VI
Que distância!
Não choro porque meus olhos ficam feios.

Secretário dos Amantes sempre foi a minha poesia preferida do Oswald. Sou muito passional por tudo e por todos. Sinto facilmente saudade.
Saudade da época que só a antropofagia nos unia.
Saudade de abrir os olhos pela manhã e pensar em você.
Porém Havana ou qualquer outro lugar quente e interessante longe daqui me espera.
Me espera ? Eu voltarei !
Dejáme sólo conmigo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Jóia Rara - La Vie En Chose



Isabel Garcia mais conhecida como Bluebell me faz arrepiar
Não é para menos.
Com a sua voz encantadora e suas músicas pra lá de Indie, ela está em destaque com o seu som na abertura da série " Aline" da Rede Globo.
Garimpando por aí, encontrei a música acima e na sua batida viajei para longe, pensando na vida...


Uma dose de blues, boa letra e humor sem gelo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Para que você me conheça


Confesso:
estou carente e quero um abraço para aliviar o cansaço
e enfrentar os medos ...
P.S.: Espero ansiosamente o verão.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ilustrações bem servidas

Já virou mania na minha vida procurar todos os dias as novas postagens do Céo Pontual. Com ótimas ilustrações e frases de muito bom gosto, conseguiu me cativar.
Aproveite e fique a vontade para tornar-se fã do trabalho dele !


Frases Ilustradas: http://frasesilustradas.wordpress.com

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quartett, quando o menos é mais


(...) A bestialidade da nossa conversa cansa a minha beleza. Mais uma mordida, mais uma patada. cada palavra rasga uma ferida, cada sorriso desnuda uma navalha. Deveríamos deixar nosso papel ser encenado por tigres. A arte cênica das feras (...)
Valmont

Após o terceiro sinal a luz se apaga e a platéia composta pela elite teatral de São Paulo que outrora emitiam ruídos sem fim, cala-se. Em meio ao silêncio celestial a claridade toma conta do palco, que em poucos segundos torna-se ainda mais luminoso com a presença da diva francesa Isabelle Huppert.

Mas em Quartett ela não está só.

Diriga por ninguém mais que Bob Wilson, um dos maiores encenadores do teatro mundial e tendo como companheiros de cena atores do Odéon-Théâtre de l'Europe, Isabelle dá vida à libertina dilacerada pelas mãos do escritor e dramaturgo alemão Heiner Muller.
Merteuil e Valmont o casal da trama, parecem não se incomodar com as farpas trocadas entre si, numa espécie de jogo sexual.

Tudo é perfeito. A cena acontece como em um filme, onde as cores do figurino e a iluminação complementam a atmosfera criada pela densidade que nos leva a uma profundidade emocional guiada pelo texto fortíssimo e pela atuação concisa.

A luz volta a apagar-se, porém desta vez o silêncio do blackout dá lugar à incessáveis palmas e gritos merecidos de Bravo.
Serviço: Quartett ( França )
SESC Pinheiros
http://www.sescsp.org.br/
Dia(s) 12/09, 13/09, 15/09, 16/09
Sábado, terça e quarta, às 21h e domingo, às 18h.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Riscar o Arriscar


“O medo sempre me guiou para o que eu quero.
E porque eu quero, temo.
Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou.
O medo me leva ao perigo.
E tudo o que eu amo é arriscado”.
Clarice Lispector
extraído do texto Brasília.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ensaio crítico de uma análise perdida




Eu não dava nada.

Para não falar que realmente eu não dava nada, pensei nas suas opiniões no programa da GNT. Ok ! Temos pontos de vista parecidos, porém Maitê Proença me surpreendeu neste seu livro que é metade biográfico e metade ficcional, porém foi registrado no ISBN como romance. Sim, sua vida é digna de romance, romance bem dramático, daqueles que a mocinha sofre um bocado para conseguir coisas boas na vida.

Mas o legal de Maitê, é o seguinte: ela não se faz de coitada. Sua vida familiar digna de Nelson Rodrigues não faz dela uma pobre coitada com consequências psicológicas drásticas.

A força pulsora para baixo, foi um trampolim para algumas passagens da sua vida. Passagens estas também acompanhadas de muito dinheiro, porém escolhas certas para um crescimento pessoal.

Paixões de derreter os miolos, aventuras em albergues, experiências com o Daime ... Tudo isso me aproximou dela.

Semelhança, seria a palavra certa.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Tudo junto

Wassily Kandinsky

Adoro quando preciosidades caem nas minhas mãos, ainda mais em épocas onde estou assim, atenta ao que realmente transforma a minha vida. Está aberto em mim a temporada de novas possibilidades e esse texto me caiu como uma luva. Apaixone-se. Não no sentido romântico da palavra. Poderia até ser mas neste caso não é. Aliás, esse texto me lembrou um pouco de Antonin Artaud ( grande criador do Teatro da Crueldade ) quando ele cita que viver é afirmar-se em si mesmo, encarniçadamente e que esse é o esforço que o homem contemporâneo não quer mais fazer ... Tenho pensado muito em Kandinsky.

Apaixone-se

Porque o dia seguinte é o dia mais importante da sua vida.

É no dia seguinte que sabemos se o dia de ontem valeu a pena.

É no dia seguinte que acordamos para a realidade ou dormimos no sonho.

A vida da gente começa no dia seguinte e só existe uma maneira de viver: APAIXONADO.

Por isto dance, dance como se ninguém estivesse vendo você,

Trabalhe como se não precisasse de dinheiro,

Corra como se não houvesse a chegada,

Ame como se nunca tivesse sido magoado antes,

Acredite como se não houvesse frustração,

Grite como se ninguém estivesse ouvindo,

Beije como se fosse eterno,

Sorria como se não existissem lágrimas,

Abrace como se fossem todos amigos,

Durma como se não houvesse amanhã,

Crie como se não existisse crítica,

Vá como se não precisasse voltar,

Acorde como se você nunca mais fosse dormir de novo,

Faça a próxima viagem como se fosse a última,

Vista-se como se não conhecesse espelhos,

Proponha como se não existissem as recusas,

Brinque como se não tivesse crescido,

Levante como se não tivesse caído,

Case como se não houvesse outra,

Mergulhe como se não houvesse medo,

Ouça como se não existisse o certo ou errado,

Fale como se não existisse o certo ou errado,

Aprecie como se fosse eterno0,

Viva como se não houvesse fim.


Prefira ser invés de ter,

Sentir invés de fingir,

Andar invés de parar,

Ver invés de esconder,

Abrir invés de fechar.


Apaixonar-se é um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal,

prepare o terreno, semeie, seja paciente, espere, regue e cuide.

Terá um jardim.

Mas esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excesso de chuvas.

Se desistir, não terá um jardim.

Terá um descampado.

A paixão não se vê, não se guarda, não se prende, não se controla, não se compra, não se vende, não se fabrica.A paixão é a diferença entre o sucesso e o fracasso.Entre a dúvida e a certeza.Entre aqueles que gostam do que fazem e aqueles que fazem o que gostam.Apaixonados não esperam, agem.

A paixão é o que faz coisas iguais serem diferentes.

Lembre-se que a arca de noé foi construída por apaixonados que nada conheciam de navegação e de embarcação e o Titanic foi feito por engenheiros profissionais, fabulosos, que queriam mostrar seu poder.Amanhã, quando acordar, pense se hoje valeu a pena e APAIXONE-SE.

Porque em 24 horas você vai entrar no dia mais importante da sua vida: o dia seguinte.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Vou descer no próximo


" A vida numa sociedade líquido-moderna não pode ficar parada. Deve modernizar-se ou então perece. É preciso correr. Ligar-se ligeiramente é uma ordem. Não importa o que aconteça, propriedades, situações e pessoas continuarão deslizando e desaparecendo numa velocidade supreendente."

Sociólogo polonês Zygmunt Bauman


O supérfulo te atrai ?
Como escolher o que é passageiro ?
Você corre para onde ?
O que é viver em uma sociedade líquida ?
Pai e mãe é para sempre ?
O outro tem tempo para você ?
Para que interagir se amanhã o nosso redor terá mudado ?
Aonde é a saída ?
Como confiar em relações coloridas ?
Quantas flores tem em seu vaso ?
As pessoas te olham nos olhos ?
Você é descartável ?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Novas idéias para um mundo com futuro




Uma das coisas mais legais que ouvi nos últimos tempos, foi uma amiga dizer o quanto ela não tem medo de recomeçar...

Essa conversa ficou vagando pela minha mente durante dias e hoje, após alguns acontecimentos, coloco-me no mesmo lugar que ela: de cabeça erguida e olhar para o horizonte.

Meu histórico de vida sempre me colocou como uma pessoa disposta à recomeços, porém eu andava muito bundona.

Bundona mesmo, no maior estilo" será que vou, será que não vou ?".

Se não estou saindo da página 30 é que está na hora de mudar de livro.

Se meu esmalte vermelho está acabando é que chegou o momento de comprar um novo.
Se estou sendo enrolada, algo vai ter que rolar.

Não adianta eu ficar triste com as minhas perdas momentâneas e materiais. A única coisa que sei é que vou levar apenas a minha melhor troca de roupa para os sete palmos e nada mais ...


Confesso que preciso de uma viagem de férias para o Paquistão !

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Continuo vivendo

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita,
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos,
o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra,
meu dia e minha noite,
meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio,
minha dor de cabeça,
meu medo da morte.
Dos Três Mal Amados - Cordel do Fogo Encantado
da poesia de João Cabral de Melo Neto

terça-feira, 21 de julho de 2009

Nunca imaginei que iria gostar tanto daqui ...

Entardecer na Vila do Frade
( Angra dos Reis - RJ )

Estava aqui no Frade conversando esses dias com o Vitor sobre a força caiçara e o quanto eu acho bonito esse amor a origem. Tenho paixão em acordar bem cedo, ir para a praia e ver os pescadores iniciando sua jornada de trabalho, puxando o barquinho até a água e depois sumir no horizonte, remando ...
O Vitor faz parte da 5ª geração do Frade, estuda biologia marinha e participa dos projetos da comunidade. E durante um papo ele me contou um pouco sobre a história da região: Há muito tempo atrás, vivia por essas terras o Cacique Cunhambebe, que segundo estudos era valente e canibal. Tudo era normal até a chegada do Frade ( e com ele a igreja católica ). O Cacique não gostou nada da invasão, juntou seus homens e desceu lá de onde hoje é o Pico do Frade até aqui, com o grande objetivo de matar seu inimigo. Resultado: Várias homenagens aos dois. Para começar o nome do bairro é Frade, o nome da praça principal é Cunhambebe, a ilha de frente para a vila é Cunhambebe também e o Hotel ... é do Frade.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Te quiero




"Yo te quiero con limón y sal

yo te quiero tal y como estás

no hace falta

cambiarte nada ... "



Julieta Venegas

Julieta Venegas


Ao viajar pela América do Sul acabei me tornando conhecedora de alguns ritmos novos. Sempre fui apaixonada por música latina e como criei um certo distanciamento involuntário por letras em inglês, as músicas em espanhol cativaram meu coração.
E a Julieta me chegou assim ...
Estava pesquisando na internet novas vozes e me deparei com essa mexicana de voz estranha e letras adolescentes. Sim, por que por mais que eu goste dela, sei que suas rimas são básicas, mas ... eu gosto disso.
A batida pop com sanfona causa uma vertigem, um estranhamento sonoro para nossos ouvidos tupiniquins, porém Julieta Venegas vem conquistando cada vez mais espaço aqui no Brasil e realizando parcerias com grandes ícones da MPB como Marisa Monte e Lenine.
Uma outra parceria bem conhecida por aqui foi com o grupo argentino de tango eletrônico ( muito bom ) Bajofondo, que eu já conhecia desde minha visita as terras porteñas.
A canção Pra Bailar fez o maior sucesso por ser tema de abertura de uma novela da Globo, porém só foi utilizada a batida inicial ficando ainda assim desconhecida a voz de Julieta.
Sei que existe um tremendo preconceito com a música latina, mas tenho certeza que é apenas falta de conhecimento. Temos grandes nomes como Maná, Calle 13, Shakira, Alejandro Sanz, Jorge Drexler e tantos outros que ofuscam Thalias e RBDs da vida ...

Mi canción preferido ...


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um pedaço de mim ....

Meu pequeno Halley

"Pegar carona nessa cauda de cometa
Ver a via láctea estrada tão bonita
Brincar de esconde-esconde numa nebulosa
Voltar pra casa, nosso lindo balão azul"
Moraes Moreira

segunda-feira, 29 de junho de 2009

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Viva o que há dentro de você

Votos de Submissão
Caso você queira posso passar seu terno,
aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o longo inverno...
Use capa de chuva, não quero ter você molhado.

Se de noite fizer aquele tão esperado frio
poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.
E verás como a minha pele de algodão macio,
agora quente, será fresca quando for janeiro.
Nos meses de outono eu varro sua varanda,
para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda
Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas.
Depois plantarei para ti margaridas da primavera
e aí no meu corpo somente você e leves vestidos,
para serem tirados pelo seu total desejo de quimera.
Os meus desejos, irei ver nos seus olhos refletidos.

Mas quando for a hora de me calar e ir embora
sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola,
mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.

(Nem vou deixar – mesmo querendo – nenhuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda minha poesia.)
Fernanda Young


sábado, 20 de junho de 2009

Conversas alheias

Você consegue falar de algo que não seja seu passado ?


Desde que você entrou na minha vida comecei a frequentar cafés, porém não os tomo. Ainda prefiro a boa e velha Coca-Cola de sempre. Neste momento estou em um, o lugar é bem bacana e é meu preferido, você nunca veio comigo aqui. Talvez por falta de oportunidade ou interesse mesmo, sei lá, mas não vim pensar em você. Por mais que você esteja materialmente transformado em minha frente, hoje não é seu dia. Intelectuais, artistas, estudantes, pessoas diferenciadas da sociedade frequentam este lugar. Um casal acabou de se sentar na mesa ao lado.

O homem soltou a pérola citada acima. Pelo que percebi ele é escritor, típico escritor. Ela é atriz e ambos estão na casa dos 45,50 ...
Ele quer levá-la para cama e ela já propôs dar um baseado para ele relaxar.
Ela sempre foi chamada de bruxa na escola. E ele acabou de receber um telefonema que irá mudar o rumo de seu livro, que segundo ele estava à beira da mediocridade.

Parecia, mas eles não se conhecem .

Ele levanta bruscamente, pega o capacete e diz que vai embora. Ela manda ele sentar, que acata e diz lhe dar mais alguns minutos, além de elogiar o seu charme. Conversam sobre prazer : "Esculachar é uma delícia, é natural da mulher, da menina ".
Não quer conhecer seu passado, nem saber quem ela foi. Aceitou seu convite e está ali, pronto para descobri-la.

- Vamos embora ?

Levantam-se e ela sai na frente. O garçom arruma as cadeiras.
Minha Coca-Cola acaba.
Silêncio.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Para um futuro próximo ...

DESEJOS

Desejo a você...

Fruto do mato

Cheiro de jardim

Namoro no portão

Domingo sem chuva

Segunda sem mau humor

Sábado com seu amor

Filme do Carlitos

Chope com amigos

Crônica de Rubem Braga

Viver sem inimigos

Filme antigo na TV

Ter uma pessoa especial

E que ela goste de você

Música de Tom com letra de Chico

Frango caipira em pensão do interior

Ouvir uma palavra amável

Ter uma surpresa agradável

Ver a Banda passar

Noite de lua cheia

Rever uma velha amizade

Ter fé em Deus

Não ter que ouvir a palavra não

Nem nunca, nem jamais e adeus

Rir como criança

Ouvir canto de passarinho

Sarar de resfriado

Escrever um poema de Amor

Que nunca será rasgado

Formar um par ideal

Tomar banho de cachoeira

Pegar um bronzeado legal

Aprender um nova canção

Esperar alguém na estação

Queijo com goiabada

Pôr-do-Sol na roça

Uma festa

Um violão

Uma seresta

Recordar um amor antigo

Ter um ombro sempre amigo

Bater palmas de alegria

Uma tarde amena

Calçar um velho chinelo

Sentar numa velha poltrona

Tocar violão para alguém

Ouvir a chuva no telhado

Vinho branco

Bolero de Ravel

E muito carinho meu.



Carlos Drummond de Andrade

A Força do Rádio


por Thatiane Ferrari

Vivemos em uma sociedade onde o apelo visual é muito forte e com um ritmo de vida tão acelerado que parar para escutar o outro muitas vezes é uma missão quase impossível. O rádio tem esta incrível façanha. A de inquietar e convidar o ouvinte a utilizar a sua mente, de forma que a partir da descrição de detalhes ele consiga imaginar de fato o acontecimento narrado, tendo o poder de criar uma visão mental e atingir essa incrível magia radiofônica.


Mas nem sempre foi assim, antes do surgimento do rádio a comunicação ainda era extremamente regional e simplista, ninguém sabia o que acontecia do outro lado do mundo. Hoje a filosofia do rádio é “pense globalmente, aja localmente" mas antigamente a curiosidade era tamanha em saber o que se passava além do que os jornais publicavam que quando o rádio chegou ao Brasil em 1922, mesmo sendo caro tornou-se objeto de desejo da elite da época, motivo pelo qual demorou se popularizar.
Não existia uma linguagem radiofônica, o que obrigava os locutores a lerem as notícias dos jornais impressos, muitas vezes gritando o título para diferenciar a manchete do conteúdo da notícia e de forma impessoal já que ele não tinha a vivência do fato.


Com a comercialização das rádios através de anúncios passou-se a valorizar mais os locutores, surgiram os programadores que organizavam os horários e programações e equipes fixas trazendo aos poucos a profissionalização às rádios.
Esta evolução nos trouxe o surgimento em 1941 do revolucionário Repórter Esso, o primeiro rádionoticiário do país que durante 27 anos cumpriu o dever de informar e noticiar os fatos através do slogan "testemunha ocular da história". Editores trouxeram uma nova forma de linguagem, produzindo um novo tipo de texto mais objetivo e dinâmico o que agradou muito o público. “O Repórter Esso, programa memorável ... recolhia a todos junto aos rádios receptores, não deixando ninguém nas ruas após o toque marcial de fanfarras e clarins, que era o seu prefixo” cita Maria Elvira Bonafita em seu livro “ História da Comunicação: Rádio e TV no Brasil.”


Nessa época o mercado de trabalho era restrito apenas para homens, por muitos acreditarem que mulheres não tinham credibilidade na voz o que acabou-se desmentindo durante os anos, já que as mulheres conquistaram seu espaço e fizeram seu nome na história do rádio, porém esse espaço continua reduzido pois apenas 10% das vozes no rádio são femininas.
Os anos se passaram e esse profissional também se modificou. Milton Jung em entrevista para o Clever People* diz: “Naquela época o rádio era único veículo ágil que havia, a televisão era estática ... hoje todas as mídias trabalham com notícias urgentes então a competição com o rádio é muito forte” fazendo um parâmetro entre o mercado de trabalho atual e o de 25 anos atrás, e completa “se o profissional de rádio não souber trabalhar com os dois conceitos básicos do processo de comunicação dentro deste cenário que é a agilidade e a precisão vão pagar muito caro por isso e o que há de mais caro na nossa carreira é a credibilidade” .


O público tornou-se mais exigente, mais interessado e espera de qualquer mídia a notícia em última hora . Com a evolução dos meios de comunicação a tendência também é cobrar ainda mais deste profissional que é mais do que um narrador de fatos, é uma testemunha participante dos acontecimentos em tempo real é o responsável pelo desenvolvimento do espírito crítico de toda uma população.
A força do rádio pode ser conferida em números, já que o Brasil é uma das maiores potencias radiofônicas do mundo, alcançando 96% de todo território nacional. A programação é projetada para 49.500 rádios em domicílios brasileiros, sendo a maior cobertura de todos os meios de comunicação e com um público estimado em 90 milhões de ouvintes. Existem hoje no Brasil 3.988 emissoras de rádio um cenário bastante positivo, conforme gráfico abaixo:

Fonte: Grupo de Mídia SP


O maior pólo mercadológico está na região Sudeste que possui 1.404 emissoras de rádio com a maior concentração de aparelhos domiciliares: 47 %. Só em São Paulo temos 657 emissoras de rádio entre AM e FM. Estudos apontam que o índice de ouvintes das rádios paulistanas é bem maior para a frequência FM, constituída em maior parte por programas de músicas e pequenos boletins jornalísticos, enquanto a frequência AM, geralmente especializada em jornalismo, é bem menor.


O rádio como outros meios de comunicação necessitam da publicidade para sobreviver e manter a sua programação no ar. Diante disso as emissoras trabalham ativamente em seu departamento comercial na captação de anúncios, trabalhando diretamente com agências e em alguns casos, formulando comerciais totalmente específicos para o rádio.
No mercado publicitário o Rádio teve a participação de 4% em verba segundo os índices de referência, uma fatia muito pequena mas que cresceu 17,6 % em relação ao ano anterior.



Share dos Meios

Fonte: Grupo de Mídia SP


O perfil do ouvinte de rádio na sua grande maioria são jovens de 20 à 29 anos que fazem parte da classe econômica C, uma classe economicamente consumista que requer uma atenção especial dos anunciantes.

O assunto da imprensa independente hoje em dia é pauta para muitos debates, já que a influência dos anunciantes perante aos veículos de comunicação passa pelo fato do anúncio ser a grande fonte de renda para as emissoras de rádio e uma notícia que seja desagradável para a imagem deste anúncio seria o fim de um contrato.
Diante deste assunto, muitos profissionais renomados divergem suas opiniões, José Mello Marques cita em entrevista ao Clever People a sua posição perante este fato “Raramente uma notícia contra anunciantes será divulgada por um veículo de comunicação que dependa economicamente da publicidade desse anunciante. Quem falar o contrário está mentindo.” Sobre os profissionais do mercado que praticam a idéia de liberdade de imprensa, Nello Marques diz que já viu anunciante pedir “a cabeça” de repórter ao dono da rádio.


Uma coisa é certa, o jornalismo radiofônico é totalmente dependente do mercado publicitário, o que influencia e muito o mercado de trabalho no rádio desde as contratações de equipes até produção de programas.





* Clever People é o grupo de estudos formado na Universidade Paulista para o curso de Comunicação Social.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sensíveis acordes ...

Vasculhando e desbravando por aí, encontrei uma deliciosa pérola no Youtube, esse mágico lugar onde tudo acontece !

Lá achei o documentário na íntegra ( dividido em partes, claro) do Chico Buaque - À Flor da Pele.
Ele trata da essência feminina nas belíssimas canções do Chico, o maior letrista brasileiro que consegue com as suas palavras entrar no antro de toda mulher.
Compartilho com vocês a primeira parte. Ele é constituído de 8 partes e todas podem ser encontradas na sequência da visualização.


sexta-feira, 5 de junho de 2009

Planeta Johny - Conhecendo nossos vizinhos ...



Galera !!!!


Não teria como não socializar o blog de dois amigos meus que estão dando um grande passeio por aí: Johny e Djalma.

Esses caras são dois aventureiros que agora decidiram mochilar por lugares um pouco mais distantes ... Sim, eles estão fazendo América do Sul. E eu como amiga, acredito ter sido uma das que mais incetivaram a trip e estou super feliz para a concretização deste grande sonho !


O blog deles é o Planeta Johny


Vale a visita !!!!

Chicos, Buena Suerte

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Eu não vou me acostumar


Essa semana, estava indo para o meu trabalho ( que temporariamente é em Mairiporã como Contadora de Histórias ... ) e me deparei com um homem caído ao chão.
O motorista do ônibus em que eu estava, parou e ao ver o que estava acontecendo, descobrimos que ele foi baleado. Ele morreu alí. No local. No momento. Na minha frente ...

Foi difícil, está sendo difícil. Não o conhecia, não sei se seu nome é Zé, João ou Tadeu, se tem filho, se é orfão, se é ladrão.

Não importa o que ele é ou melhor, quem foi. O que importa é que é uma vida e eu tenho sim que me abalar com isso.

Eu não vou me acostumar e achar que isso é normal. NÃO É NORMAL .

Alguém levar um tiro no coração às 8 horas da manhã na porta de casa não é aceito.

A cada dia mais eu agradeço à Deus pelas profissões que escolhi e sei que da minha forma, estou fazendo algo para mudar isso. Seja com algum espetáculo, com alguma história que conto. Seja com algum texto que escrevo ou alguma atividade que passo. Estou colocando do meu jeito uma semente de algo bom no coração de alguma criança, semente de um futuro.

Que espero que seja bem melhor do que esse futuro presente em que vivemos.

Que se acostumar com perdas seja somente em jogos de brincadeira.

Yo hubiera dicho ...


Para usted ...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Na espera da Virada


por Thatiane Ferrari


São Paulo, a maior metrópole da América do Sul, palco das principais atividades culturais e vanguardistas brasileira se prepara para 24 horas de atrações ininterruptas. Vem aí no próximo final de semana, a 5ª edição do maior evento cultural do país, a Virada Cultural.


Inspirada na Nuit Blanche parisiense, a Virada Cultural já virou um costume para paulistanos de todas as idades que encantados com a diversidade artística, lotam praças e avenidas atrás das manifestações culturais. Neste ano, um dos grandes destaques da programação são as atrações internacionais, que através do projeto O Ano da França no Brasil, traz artistas franceses consagrados para apresentações e intervenções pelo centro velho da cidade .


Espero me programar melhor do que nos outros anos para conseguir assistir a mais apresentações. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo a gente fica meio perdido e esse ano a Virada promete” diz Rafael Sousa, esportista que frequenta o evento a dois anos. Quando indagado sobre quais atrações não quer perder, Rafael logo responde “ as apresentações do Grupo Acrobático Julius e da Cia.Fratelli” ambas especializadas na linguagem circense. Entre as atrações mais esperadas estão Maria Rita, Tom Zé, Marcelo Camelo, Novos Baianos e Zeca Baleiro.


Segundo a organização do evento estão sendo esperadas mais de 330 mil pessoas, 10 % a mais que a edição do ano passado, sendo dividas em mais de 800 atrações contando com 5 mil artistas de diversas localidades do mundo. Para garantir o conforto da população será triplicado para 900 a quantidade de banheiros químicos,que estarão espalhados em locais amplos e de fácil acesso. Serão 1,5 mil pessoas trabalhando na organização, contando com uma central de emergência com 150 brigadistas, 40 ambulâncias e 20 UTIs Móveis.


A maratona cultural já é um dos eventos mais lucrativos da cidade e espera movimentar cerca de R$ 100 milhões de reais. Estudos do Observatório do Turismo ( Núcleo de estudos e pesquisas da São Paulo Turismo ) apontam dados muito interessantes: 58,6 dos frequentadores são homens, tendo entre 18 à 24 anos e uma renda mensal na média de 6 a 10 salários mínimos com ensino superior completo.


No ano passado, os turistas brasileiros ( a maioria do interior do Estado ) gastaram na cidade R$ 239,20 e os maiores gastos foram com alimentação cerca de 46,1 %. Números que ajudam a colocar São Paulo, mais uma vez, na rota das maiores cidades do mundo.

Pra você, com você ou sem você

Como todos sabem eu sou atriz e uma das coisas que eu mais gosto é interagir com o público. Nesta edição do meu programa "Pra você, com você ou sem você" Suzette Dyas ensina como flertar no metrô.




Quem gostou pode procurar a 2ª parte no Youtube

domingo, 26 de abril de 2009

Nem Platão Explica


O nome dele era Fernando e das suas características não lembro nada. Só sei que era apaixonda por ele e queria que ele fosse meu noivo na quadrilha da festa junina ...

Era o início da década de 90 e eis que começo a minha saga de amores platônicos infantis .

O próximo da lista foi Yuri, que logo minha família percebeu meu interesse já que entre 10 palavras que eu falava 5 era o nome dele. Estava na 1ª série e o nosso hobbie era brincar de pega-pega na hora do recreio. Toda vez que ele me pegava gritava Madonna com um tom de xingamento, ainda mais naquela época que ela usava soutien pontudo ... Hoje em dia adoraria que me chamassem de rainha pop. No ano seguinte ele não apareceu na escola, disseram que ele tinha mudado.

Como meu coração estava vago apareceu um candidato, Daniel. Ele era lindo, pele morena do tipo bronzeada com o cabelo tijelinha preto lisinho. Ele estudava na sala do lado da minha e meu irmão e o irmão dele não se davam muito bem. Ele movia meus pensamentos, sonhava em nos casar, me imaginava de vestido branco e batonzão vermelho entrando na igreja. Mas, ele sumiu, sem deixar rastros ou informação de mudança. Se bem que tinha me desiludido com ele, quando soube que com mais dois garotos, atacaram a Soraia ( uma menina maloqueira que morava na minha rua ) atrás de um caminhão. O acontecido chegou aos ouvidos da professora que deu suspensão para eles, mas o que eles fizeram naquela tarde não sei, além do mais naquela época isso não era assunto para crianças ...

Passou o tempo, mudei de escola e do nada surgiu na minha frente,o Moritta. Marcos Moritta um mestiço lindo que usava topete e era repetente, meu Deus, abalou meu coração, mas como sempre não comentei nada para ninguém, nem para minha amigas, que mais tarde uma veio me falar que estava gostando dele ... Porém, já era tarde, ele estava gostando de mim e eu já era conhecida como Srª Moritta.
Um dia me falaram que ele queria ficar comigo e ele veio querer saber a resposta pessoalmente: " Eux nããão querox flicar com voxxê " ... Ai, aquele aparelho dentário móvel, que desastre ...
Eu nem sabia o que era ficar e como até hoje sou tímida para assuntos do coração, tremi tanto que acabou saindo essa resposta. Resultado: depois de um mês ele estava namorando uma menina da minha sala que sabia e muito bem o que era ficar ...
Aliás creio que este é um grande defeito meu, nunca sei demonstrar interesse nesses assuntos, nunca consigo deixar a outra pessoa perceber que estou gostando dele.

Meu último amor platônico de infância foi o Thiago com quem eu tinha feito catequese e não tinha naquela época menor interesse nele, até encontrá-lo anos depois passando na porta da loja do meu pai . Meu coração ? Ah, disparava todos os dias ao escutar o som barulhento da mobilete dele passando de um lado pro outro ... Escrevia sobre ele no diário e passava manhãs e manhãs falando dele na escola e lembrando de seus olhos verdes.
Ficamos nessa de "vai, não vai", ele sabia que eu gostava dele e ele também era afim de mim, mas como ele não chegava e eu nunca chegaria em nenhum menino, a loja do meu pai acabou mudando e acabamos perdendo o contato .
Anos depois, após uma crise de tristeza momentânea de adolescente, minhas amigas foram atrás dele e o que era platônico se transformou, elas agitaram ele de presente para mim. Esperei tanto por aquele momento que quando aconteceu nem foi tão especial ... Me falaram depois que ele trancava a vó no banheiro para levar os amigos em casa e colocava filme pornô para assistirem ... hehehe falam, né.
Encontrei ele ano passado no shopping, na parte de chocolates das Lojas Americanas ... Fingi que não o conhecia e sai andando.

Vai saber, Vai se entender o coração ...

Ibirapuera

Ser diferente



Crescer



Se conhecer